Destinos > Ásia > Laos

Laos

Situado numa curva do rio Mekong Vientiane, o Laos, é um lugar onde os monges, com suas roupas cor de laranja, superam o número de turistas e o que se vê no horizonte são os telhados franceses coloniais e o ouro dos templos. Nas ruas poeirentas da capital do Laos é mais fácil ver um fusca reluzente de trinta anos do que um engarrafamento - e, em pleno centro, borboletas e pássaros disputam espaço entre os pés de jasmim-manga. A vida anda lentamente no Laos. O comércio abre as portas tarde, muitas vezes depois do meio dia. Motoristas de tuk tuk (motocicleta com cabine acoplada para passageiros) dormem durante o expediente e um percurso de 100 quilômetros custa quatro horas ao motorista de ônibus. Enquanto a Tailândia representa a síntese de festa e curtição, no Laos tudo é feito com paciência, na maior tradição budista, neste pequeno país que exibe com orgulho suas tradições comunistas com bandeiras vermelhas destacando a foice e o martelo. Ex-colônia francesa, o reino do Laos também entrou na guerra do Vietnã indiretamente, com bombardeios secretos dos Estados Unidos. O governo comunista fechou a nação ao mundo e faz menos de duas décadas que os turistas começaram a redescobrir seus tesouros, uma oportunidade sem paralelos para quem pretende vislumbrar a atmosfera da antiga Indochina. Fortemente bombardeada durante a Guerra do Vietnã, a "Terra de Milhões de Elefantes" - como a região era conhecida há seis séculos - ainda mantém exotismo capaz de torná-la, sem exageros, um dos pontos altos de viagens ao Sudeste Asiático. Monges com vestimentas cor de açafrão, vastos arrozais e o sincretismo entre a arquitetura francesa e as construções tradicionais desta ponta da Ásia criam um cenário único, ainda praticamente intocado. O destino ainda representa mais aventura do que turismo, mas começa a chamar a atenção dos viajantes mais descolados. Em 1990, pouco mais de 14 mil pessoas encararam uma viagem ao Laos. Hoje, superam 1,1 milhão, atraídos pelos bistrôs e as construções coloniais de Luang Prabang ou os diversos templos da simpática capital Vientiane. Um dos países menos desenvolvidos e mais enigmáticos do sudeste asiático, o Laos reconhece nos estrangeiros motivos de riso e curiosidade. Em aldeias no interior, onde há pouca gente além dos nativos, não surpreende que ocidentais sejam considerados verdadeiros alienígenas, alvo fácil de beliscões e capazes de provocar choro nas crianças. Mas é justamente essa completa ausência da interferência estrangeira que mantém o charme influenciado pela cultura francesa da época colonial e o exotismo sem paralelos da vida tradicional permeada pelo budismo em todas as suas instâncias. O Laos parece satisfeito em manter-se alheio às influências da vida moderna, enquanto tenta transformar-se no país mais estável da região, mesmo com uma economia discreta, baseada na agricultura de subsistência.